Você está em: Notícias > Feliz 2012 com saúde
Imprimir
Enviar por e-mail
Compartilhar
Feche os olhos e pense: se você tivesse que fazer agora uma daquelas famosas resoluções de virada de ano, qual faria? Com certeza, muita gente pensaria em comprar um carro novo ou financiar a casa-própria. Mudar de emprego ou fazer algo para ganhar mais dinheiro também viria a calhar. As conquistas materiais estão sempre presentes e são importantes, é bem verdade. Mas, ao fechar os olhos, muita gente deve ter pensado também na própria saúde. Alterar hábitos e buscar o bem-estar são objetivos que nem todos que traçam alcançam. Mudar a alimentação, praticar exercícios físicos regularmente e até se preparar psicologicamente para vencer as tentações são algumas das atitudes a tomar. Ainda que pareça complicado, pode acreditar, o resultado compensa. Depois de um tempo, a luta se transforma em uma rotina prazerosa e a melhora na qualidade de vida a principal recompensa.
De acordo com dados levantados pelo Ministério da Saúde e pela Universidade de São Paulo (USP), 56% da população brasileira sofre com excesso de peso — sendo 43% com sobrepeso e 13% considerados obesos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a obesidade uma epidemia do Século XXI, capaz de fazer aparecer, desenvolver e agravar outras doenças e males como hipertensão arterial, diabetes, elevação do colesterol, ansiedade e o enfarte do miocárdio.
O instrutor de educação física Felipe Patta, sócioproprietário da academia Quality Personal, fala dos benefícios que uma rotina de exercícios pode proporcionar. “A qualidade de vida influencia em todos os campos. Você melhora a flexibilidade, a resistência muscular, a pressão arterial... É uma lista tão ampla que não dá para citar tudo. Ter uma vida saudável ajuda em tudo, até no controle de doenças. Tem gente que para de tomar remédios porque passa a se exercitar, porque muda o estilo de vida”, revela.
Longo prazo
Os especialistas são unânimes em dizer que não existe uma fórmula mágica para ter boa saúde. Ninguém deve procurar uma academia ou um consultório de nutricionista esperando emagrecer ou tornear o corpo de um dia para noite. Ser saudável exige dedicação e a mente voltada para o objetivo. Até por isso, muitos param no meio do caminho, antes mesmo de descobrir o prazer de chegar à recompensa após o esforço.
O psicólogo Thiago Couto entende que a preparação da mente é um fator muito importante para alcançar o resultado, principalmente por causa das tentações que surgem na jornada em busca da vida saudável, vencidas apenas por pessoas realmente focadas. “No caso de emagrecer, por exemplo, a distância entre o esforço e a recompensa é muito grande. Se você começa a fazer um regime em janeiro, você só vai estar magro em janeiro do ano que vem. Curas milagrosas não existem. Você não sente a recompensa na hora e por isso é difícil abrir mão de tentações como um brigadeiro delicioso”, explica.
Especialmente no fim do ano é comum as academias ficarem lotadas. É a chamada “operação verão”, praticada por aqueles que querem aproveitar as férias e o Carnaval com o corpo esbelto. No entanto, para Gustavo Malaquias, proprietário e instrutor de musculação da Academia Corpo e Saúde, uma vida não-sedentária deve ser constante, durante o ano todo. “Até porque, os resultados não são imediatos, levam certo tempo para aparecer”, comenta.
O primeiro passo é procurar um profissional e realizar uma avaliação da condição física. O especialista vai direcionar a melhor atividade de acordo com o objetivo de cada pessoa, determinando o grau de comprometimento com o esporte. “A atividade deve ser prazerosa, de maneira que a pessoa aproveite ao máximo o exercício”, lembra Gustavo.
O professor ainda explica que, para quem quer perder peso de forma saudável, a melhor receita são as atividades aeróbicas, como esteira e bicicleta — por proporcionar a perda calórica e o condicionamento cardiovascular. Porém, para que os resultados sejam satisfatórios, os exercícios devem ser realizados conforme a freqüência cardíaca, relação entre a velocidade dos batimentos do coração e a atividade física.
Comer bem
É bom que se saiba que pouco adianta exercícios físicos se a pessoa não leva em consideração boa alimentação e hábitos saudáveis, como evitar o cigarro e bebidas alcoólicas em excesso. Também no campo da nutrição, o imediatismo é um fator que não colabora. Especialistas dizem que emagrecer com uma alimentação saudável não é tão difícil. O complicado mesmo é assumir para si mesmo que a vida não pode ser mais como era antigamente. É essa a opinião da nutricionista Bruna Lage. “A manutenção de uma composição corporal magra em longo prazo talvez seja a maior dificuldade de quem necessite emagrecer. Isso se deve ao fato de o paciente ter que adquirir um comportamento persistente da mudança alimentar sugerida pelo nutricionista”, analisa a profissional.
O pensamento da maioria é de que emagrecer está ligado a parar de comer, mas não é bem assim. É possível reduzir peso comendo bem. De acordo com o psicólogo Thiago Couto, é comum pessoas que têm complexos com o corpo sustentarem o tabu de que emagrecer requer sacrifício árduo. O especialista diz que é preciso trabalhar a parte mental dessas pessoas, mas também orientar para que busquem professores de educação física e nutricionistas. “Uma dieta não é algo tão sacrificante. Tem gente que até se assusta com aquilo que é permitido comer depois que o nutricionista a determina”, diz o psicólogo.
A Sociedade Brasileira de Nutrição, seguindo algumas diretrizes internacionais, indica que as calorias ingeridas devem ser distribuídas entre carboidratos, proteínas e lipídeos. Para todos os nutrientes existe uma recomendação mínima e máxima, relacionada ao gênero, idade, atividade física e laboral do indivíduo. Quem vai saber indicar a quantidade é o nutricionista, observando cada caso.
Ter uma boa alimentação não significa apenas conquistar uma aparência melhor. Acima de qualquer fator estético, o bom hábito alimentar representa também uma saúde em pleno funcionamento. Quem come mal está pré-disposto ao risco de contrair doenças cardiovasculares (DCV), diabetes, doença gordurosa do fígado e prejuízos gastrointestinais, além de outras associadas ao ganho excessivo de peso, como problemas ortopédicos e circulatórios.
Os problemas não param por aí: a falta de alimentos pode levar à desnutrição, à anemia ferropriva (falta de ferro no sangue), à xeroftalmia (falta de vitamina A), ao raquitismo (falta de vitamina D), à osteoporose (falta de cálcio), e ao risco de desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas não-transmissíveis (DCDNT), quando há excesso de gordura e açúcar.
Cérebro treinado
A boa alimentação também traz benefícios para a saúde mental. De acordo com a nutricionista Tatiana Coura, coordenadora do curso de Nutrição da Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi), o ferro, principalmente, é um nutriente muito importante para o sistema cognitivo. Outro destaque é para os ácidos graxos poliinsaturados, categoria na qual está incluído o famoso ômega-3— substância que se incorpora às membranas das células nervosas, formadoras dos circuitos responsáveis por funções como a memória.
E o contrário também é verdade. O tratamento psicológico é capaz de ajudar o trabalho do nutricionista. Como explica o psicólogo Thiago Couto, as pessoas tendem a se sentir mais capazes na medida em que vão conseguindo superar obstáculos. “No caso de uma pessoa muito acima do peso, esse sobrepeso está muito ligado à falta de força. As pessoas dizem que não têm força para emagrecer ou falam que não têm força de vontade para conseguir. Quando emagrecem, recuperam o autoconceito, melhorando a condição de vida.”, ensina.
O psicólogo também cita os pensamentos de permissão. Eles se referem às famosas tentações, capazes de estragar qualquer tentativa de manter uma vida regrada. “É quando a pessoa se permite quebrar a dieta, dizendo pra si mesmo coisas como ‘vou comer só mais um’ ou ‘amanhã eu faço’ e por aí vai. Vencer esses pensamentos é o que vai fazer a pessoa conseguir mudar os hábitos”, diz Thiago.
Para o psicólogo, de nada adianta tentar mudar o comportamento se o cérebro não é treinado a resistir. “É assim: o pensamento é que vai gerar emoção e comportamento. E o que as pessoas fazem é tentar agir direto no comportamento de se alimentar, quando o problema começa é, na verdade, no pensamento”, diz.
Buscar o prazer na boa dieta e manter o equilíbrio mental é essencial para vencer empecilhos como a correria imposta pelo mundo moderno e o medo, grandes inimigos da vida saudável, segundo a nutricionista Tatiana Coura. “A pressa é, sem dúvida, a inimiga número um da boa alimentação. Quem tem pressa não mastiga bem e, sem mastigar bem, o processo de saciedade é prejudicado. O medo é o inimigo número dois. Algumas pessoas nunca comeram verduras ou mesmo alimentos integrais e têm medo de experimentar”, afirma.
Grupos especiais
Da mesma maneira que um bom nutricionista estipula a quantidade de nutrientes que a pessoa deve ingerir a partir de suas peculiaridades, também o instrutor físico deve saber do aluno quais são seus objetivos com a malhação, além de levar em consideração atributos e especificidades que o enquadre ou não em grupos especiais. Esses grupos são formados por pessoas portadoras de doenças como diabetes, osteoporose, obesidade e síndromes como a de Down ou o mal de Parkinson; por condições desfavoráveis, como deficiência visual ou auditiva e paraplegia ou ainda por ser criança, idoso ou gestante.
Felipe Patta, da Quality Personal, é especialista em lidar com grupos especiais. Segundo ele, da mesma forma como ocorre com alunos comuns, conseguir se manter nos treinos físicos e chegar à vida saudável passa por um trabalho de conscientização. É preciso saber o que cada exercício irá ajudar. “Tem que ser interessada, do contrário, não vai para a frente”, afirma.
Segundo o especialista, os treinos precisam ser equilibrados, começando de sequências mais fáceis para as mais complicadas. Não precisa haver dor nos primeiros dias, basta aplicar a quantidade certa de peso, sem excessos. “Eu digo que malhar é como regar uma planta. Não adianta você jogar cinco litros d’água de uma só vez e nunca mais voltar a molhar. Tem que ser um processo contínuo”, compara. “Também não adianta a pessoa aparentar um físico atlético e levar uma vida sedentária”, completa o instrutor.
O jovem Philipy de Oliveira Pena Lopes, 14 anos, é um exemplo de como a vida pode melhorar se houver dedicação. Ele chegou à Quality Personal, aos 13 anos, integrando o grupo especial das crianças com sobrepeso. Em pouco mais de três meses perdeu oito quilos de gordura e ganhou seis de massa magra. Foi um processo mais rápido porque, em sua faixa etária, o corpo ainda passa por frequentes mudanças. Mesmo assim, o garoto diz que não foi fácil.
“Não pode ter preguiça e é preciso muita força de vontade. Hoje me sinto bem melhor, mais disposto. Não falto aos treinos aqui na academia. Sinto uma mudança muito grande”, revela Philipy, satisfeito com a melhora obtida. “Ele é um caso interessante porque chegou aqui com bastante sobrepeso, mas muito disposto a melhorar. É um belo exemplo de paciência para alcançar o resultado”, enfatiza o instrutor Felipe Patta.
Para todas as idades
Casos como o de Philipy são mais comuns do que se imagina. Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) indicam que o excesso de peso já atinge a uma em cada três crianças entre cinco e nove anos de idade e um quinto dos adolescentes brasileiros.
A atenção com a saúde deve começar desde cedo e continuar por toda a vida, inclusive na maior idade. A educadora física da Impacto Academia, Izabella de Almeida Cabral, explica que a atividade física pode e deve ser realizada em qualquer faixa etária “desde que indicada e acompanhada por profissionais qualificados, como médicos, fisioterapeutas e educadores físicos”, explica.
Para os idosos, mais suscetíveis a doenças, a atividade física e a alimentação balanceada podem significar eficientes métodos de prevenções, pois melhoram a capacidade funcional e a qualidade de vida. Com o avanço da idade, há redução da capacidade cardiovascular, massa muscular e consequentemente de força e flexibilidade musculares, perda de massa óssea e equilíbrio, o que se dá de forma mais exacerbada quando existe sedentarismo.
Para controlar esses problemas, há exercícios específicos. “O pilates e o treinamento funcional são excelentes para se prevenir e melhorar dores lombares, pois trabalham músculos importantes da região da coluna. Os exercícios aeróbicos, como esteira, bicicleta, elíptico e natação são indicados como tratamento aliado ao medicamento no combate à hipertensão, devido às adaptações cardiovasculares realizadas”, diz Izabella. Segundo a especialista, o exercício aeróbico com descarga de peso e os exercícios de força são os mais indicados no tratamento e prevenção da osteoporose. “A força de impacto dos exercícios são os estímulos de que necessitam para o depósito de massa óssea”, complementa a educadora.
A dona de casa Elenice Cássia de Almeida Cabral, 53 anos, descobriu ser hipertensa há cerca de cinco anos. Antes sedentária— adepta de caminhadas esporádicas— recebeu o veredicto médico: “Sem atividade física, não é possível controlar a pressão alta”. Matriculou-se em uma academia e iniciou as sessões de musculação. “No começo não gostava, mas depois fui me acostumando e hoje adoro fazer exercícios, não vivo sem”, conta Elenice.
Elenice faz musculação de segunda a quinta-feira e ainda acha disposição para praticar natação nas sextas. A rotina de exercícios deixou de ser dever, para se transformar em prazer. Além do controle da pressão, a dona de casa está mais disposta e com a autoestima e humor mais elevados. “O meu corpo melhorou e está bem mais definido. É incomparável. Está tudo controlado, porque também tenho uma alimentação equilibrada”, diz Elenice. Ela se diz consciente dos riscos que corria e do quanto foi importante mudar os hábitos. “Poderia sofrer um derrame”, revela.
Casos como o de Elenice e Philipy, mais do que mostrar a realidade de muitos que se esforçam em nome de uma vida mais saudável, servem para provar que atitudes em favor da própria saúde valem sempre a pena. Então, hora de abrir os olhos e começar 2012 com mais disposição e com o compromisso de cuidar melhor do corpo, da mente, de si mesmo.
Fonte: defatoonline.com.br
24/11/2010 Dentistas de Alagoas recebem treinamento sobre a anemia falciforme
18/03/2011 Saúde bucal é importante na prevenção de doenças na terceira idade.
02/05/2011 Conselho Federal de Odontologia reconhece trabalho da prefeitura pela melhoria da saúde bucal.
Imprimir
Enviar por e-mail
Compartilhar